• Guto Martinez

Rosé em alta

Opção já foi considerada subproduto, mas começa a ganhar protagonismo



Muita gente torce o nariz, critica e considera como uma opção de menor qualidade quando vê uma garrafa de vinho rosé, mas a situação vem mudando rapidamente. Antes visto como um subproduto, essa variedade vem ganhando cada vez mais atenção dos produtores, e os consumidores cada vez mais veem os rosados com outros olhos.


O sucesso crescente dos vinhos rosés pode ser visto na comparação com o consumo total de vinhos tranquilos (os não espumantes) ao redor do mundo: enquanto o total teve uma ligeira retração de 0,1%, o rosé subiu 6,8%, de acordo com a Nomisma Wine Monitor, sendo que 28% dessa produção vem da França, onde este vinho possui tanto prestígio quanto os tintos e brancos - a região de Provence, aliás, é a principal denominação produtora do mundo, com 5,5% de participação na produção mundial de vinhos rosé.


O rosé pode ser feito de diversas formas, mas a maioria é produzida com maceração delicada, e deixando o mosto em contato reduzido com as cascas, de apenas algumas horas ou até um dia, conforme o resultado que se pretende. Seus aromas podem transitar entre os florais e as frutas frescas, incluindo notas de frutas vermelhas, e é comum a mineralidade. Alguns são mais adocicados no paladar, como os blush wines, e a coloração pode ir do ligeiro rosado pálido, passando pelo famoso rosé "casca de cebola" típico da Provence, até um quase tinto dos saignée, produzidos a partir da vinificação em branco do mosto de uvas tintas.


Uma parte da popularização do consumo de rosé de qualidade vem do aumento na procura dos consumidores americanos, quando vemos que o segundo maior produtor mundial são os EUA. Aliás, aquele que já foi o casal mais visado do showbiz, Angelina Jolie e Brad Pitt, são os donos do Chateau Miraval, produtor do rosé que atingiu o maior valor do mundo: a garrafa Magnum do Muse Miraval atingiu 2.600 euros em leilão.


O aumento da procura pelos rosés parece ter despertado a atenção dos produtores, que vêm cada vez mais investindo na qualidade de produção, mas ainda existe um obstáculo: acabar com o preconceito de bebedores tradicionais de vinho. Na Itália, onde o consumo de vinho rosé ainda engatinha, foi criada uma associação chamada "Rosautoctono", com o objetivo duplo de aumentar o consumo do rosé nativo do país e promover pesquisas com o objetivo de aumentar a qualidade desses vinhos.


No Brasil, o mercado vem crescendo de forma ainda mais impressionante: de 2014 a 2018, o aumento foi de 218%, mas alcançando apenas 4,7% do total dos vinhos importados. Considerando apenas os vinhos franceses, o rosé já é mais consumido que o vinho branco. Certo é que esse vinho cai muito melhor ao nosso clima, uma vez que sua temperatura de serviço é mais baixa, em torno dos 10° a 12°, por regra.


A mudança da percepção do consumidor para o vinho rosé parece já ter indicado um novo horizonte, e os produtores responderam com a qualidade desejada. Se o interesse mútuo continuar neste ritmo, o destino parece muito promissor para quem já aproveita uma boa taça de rosado!

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