Istituto Grandi Marchi: as famílias que ajudaram a construir a reputação do vinho italiano
- Guto Martinez
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Muito além de uma associação de produtores, o Istituto Grandi Marchi reúne algumas das mais tradicionais famílias da Itália, responsáveis por transformar séculos de história em referência mundial de qualidade
Por Guto Martinez

A Itália abriga algumas das mais antigas e respeitadas vinícolas do mundo. Muitas delas atravessaram séculos, sobreviveram a guerras, mudanças de mercado e transformações profundas na vitivinicultura, mantendo um elemento em comum: a capacidade de evoluir sem perder a própria identidade.
Foi justamente para preservar esse patrimônio que nasceu o Istituto Grandi Marchi, uma associação formada por algumas das mais tradicionais famílias do vinho italiano. Mais do que promover seus rótulos, o grupo tem como missão fortalecer internacionalmente a imagem da Itália como produtora de vinhos de excelência, valorizando a diversidade de seus territórios e a história construída por gerações de produtores.
Ao contrário do que se poderia imaginar, o ponto de união entre essas vinícolas não é um estilo específico de vinho. O Istituto não funciona como um consórcio de uma região ou denominação, mas como uma associação de 18 famílias que representam o melhor da vitivinicultura italiana. Cada uma representa uma região, uma denominação e uma filosofia própria de produção, mas todas reconhecidas internacionalmente pela excelência de seus vinhos. O que compartilham é uma trajetória marcada pela busca permanente da qualidade e pelo compromisso de preservar a identidade de seus terroirs.
Tradição que nunca deixou de evoluir
Casas históricas como Marchesi Antinori e Marchesi de' Frescobaldi acumulam mais de seis séculos de história, mas continuam entre as protagonistas da vitivinicultura italiana contemporânea. Outras, como Pio Cesare, ajudaram a consolidar internacionalmente regiões como Barolo e Barbaresco, enquanto produtores como Ca' del Bosco revolucionaram a produção de espumantes em Franciacorta. Na Sicília, a Tasca d'Almerita tornou-se uma das responsáveis por reposicionar a ilha entre as regiões mais prestigiadas da Itália.
São histórias diferentes, mas unidas por um mesmo princípio: compreender que tradição não significa permanecer imóvel, mas preservar a essência enquanto se acompanha a evolução da vitivinicultura, e talvez a principal característica dessas famílias seja justamente a capacidade de se reinventar.
Algumas dessas trajetórias já foram contadas em detalhes aqui no Vinho & Gastronomia, demonstrando como cada família contribuiu para transformar o vinho italiano em uma das maiores referências mundiais de qualidade.
Uma viagem pela Itália em quatro taças
Para representar essa diversidade, a degustação reuniu quatro vinhos de estilos completamente distintos, produzidos por algumas das famílias que integram o Istituto Grandi Marchi.

O percurso começou na Toscana com o Cabreo Il Borgo 2022, da Tenute del Cabreo, um elegante Super Toscano que representa a liberdade criativa e a capacidade de inovação da região.
Na sequência, foi servido o Brunello di Montalcino Vignaferrovia Riserva 2019, da Marchesi Antinori, um dos grandes nomes da denominação e uma das expressões mais refinadas da Sangiovese em Montalcino.
A viagem prosseguiu rumo ao Vêneto com o Masi Costasera Amarone della Valpolicella Classico Riserva, um dos mais tradicionais representantes do Amarone, elaborado pelo histórico método do appassimento, que concentra aromas, estrutura e longevidade.
O encerramento levou os participantes até a ilha de Pantelleria, na Sicília, com o Ben Ryé 2023, da Donnafugata. Elaborado a partir da uva Zibibbo, o vinho é considerado um dos maiores ícones italianos entre os vinhos doces naturais e demonstra como a elegância também pode estar presente em estilos tradicionalmente associados à sobremesa.
Mais do que reunir rótulos de altíssimo padrão — muitos deles pertencentes ao seleto grupo dos grandes vinhos de coleção —, a degustação permitiu percorrer diferentes regiões, variedades e métodos de produção, mostrando que a excelência italiana nasce justamente da diversidade de seus territórios.
Um legado que vai além dos rótulos
Talvez essa seja a maior contribuição do Istituto Grandi Marchi: mostrar que a reputação do vinho italiano não foi construída por um único produtor, uma única região ou um único estilo de vinho. Ela nasceu da soma de diferentes histórias, diferentes territórios e diferentes famílias que, geração após geração, transformaram tradição em excelência. Mais do que celebrar grandes marcas, o Instituto celebra um legado que continua moldando o futuro da vitivinicultura italiana.
Conheça mais sobre algumas das famílias do Istituto Grandi Marchi

