• Guto Martinez

A ressaca do Covid-19

Produtores já começam a contabilizar o prejuízo


Os grandes produtores de bebidas começam a experimentar uma das suas piores dores de cabeça na história, e que parece ainda não ter solução tão próxima. O motivo é o COVID-19, a variação de coronavírus que já fechou cidades inteiras na China, e agora colocou a Itália de quarentena, além de causar pânico generalizado nos mercados financeiros.


O problema é que o vírus faz com que as pessoas abandonem as atividades sociais, o que as previne de consumir grande parte das bebidas vendidas em bares e restaurantes - a China, maior mercado mundial de bebidas de luxo, responde por 20% dos lucros da Rémy Martin, 10% da Pernod Ricard (dona de nomes como Chivas, Jameson, Seagram's) e 3% da Diageo (que produz Johnnie Walker, Smirnoff, Guiness e muitos outros). A maioria dos centros de produção chineses fecharam ou mantiveram a operação no mínimo, após um crescimento de mais de 24% na primeira metade de 2019.


Enquanto a China ainda busca a normalidade, com a redução de novos casos e diversas medidas de segurança adotadas pelos habitantes das regiões mais afetadas pelo vírus, as chances de retomada dependem de uma "cura", ou ao menos um tratamento eficaz, que faça com que a epidemia seja debelada - mas a expectativa é que o vírus ainda se espalhe para outros países. Os Estados Unidos, segundo maior mercado mundial que já vinha de um decréscimo nos anos anteriores, já começa a ver um aumento das transmissões; no Brasil, terceiro colocado, ainda temos poucos casos que foram em sua grande maioria importados, mas o decréscimo no turismo já é esperado.


Uma das situações mais dramáticas vem da Europa, onde a Itália acaba de anunciar uma quarentena nacional, e Alemanha, França e Espanha no topo de novos casos, o que afugenta visitantes - o prejuízo para bares, restaurantes e casas noturnas que dependem do fluxo constante de turistas será dramático.


A recuperação dos mercados é esperada para depois de junho, mas mesmo com um improvável aumento no consumo de bebidas, a expectativa é de crescimento de menos de 4% para o mercado chinês e uma queda em todos os outros países afetados que pode chegar aos dois dígitos. No Brasil, onde a crise atingiu o valor da moeda local, a expectativa é de que os produtos importados fiquem ainda mais longe do consumidor, o que beneficia a produção local, já que não houve nenhuma medida capaz de reduzir o consumo - o vírus ainda chegou após um dos carnavais mais frequentados da história do país em cidades como São Paulo e Belo Horizonte, até pouco tempo vazias na época.


Enquanto o setor se prepara para receber o impacto total da crise iniciada pelo COVID-19, uma única certeza permanece: teremos muitos motivos para beber após o término do alerta de epidemia, seja para comemorar, seja para esquecer o pesadelo que ela causou.

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