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  • Guto Martinez

Col D'Orcia: visão de futuro com um olhar no passado

Localizada nas colinas ao sul de Montalcino, na Toscana, às margens do rio Orcia, de onde vem seu nome, a história da vinícola Col D'Orcia é indissociável da história do próprio Brunello di Montalcino. Com um terroir muito específico na região, resultante de um microclima único e fortemente mediterrânico, a Col D'Orcia remonta a 1890, quando era então chamada Fattoria di Sant'Angelo in Colle, tendo alterado para a atual denominação em 1953.


Adquirida em 1973 pelo Conde Alberto Marone Cinzano, a propriedade, antes voltada a diversas culturas, voltou-se à produção daquele que é chamado "o vinho dos reis, e o rei dos vinhos": o Brunello di Montalcino, e foi então que surgiu um dos maiores e mais importantes nomes da região do Val D'Orcia, considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO desde 2004.


A região, dominada não apenas pelos belos vinhedos, mas também pela flora típica mediterrânea e pela fauna que circula livremente, impressiona pela beleza que resulta da ação do homem na modificação do ambiente natural, de maneira que não haja competição, mas sim cooperação.


Seguindo este pensamento, a Col D'Orcia, pioneira no projeto de seleção clonal da uva Sangiovese, adota a filosofia biológica na produção de seus vinhos, e é desde 27 de agosto de 2010 a maior vinícola toscana a ter a certificação de produtora orgânica - um pensamento que, embora extremamente atual e resultado da visão de futuro de seu atual proprietário, o Conde Francesco Marone Cinzano, tem uma raiz no passado.


Isto porque, de acordo com o Conde Francesco, tais práticas se baseiam em fazer o vinho "como antigamente", de maneira artesanal e sem a utilização de subterfúgios considerados modernos, como os pesticidas, e voltado inteiramente para garantir a geração de habitat para os animais e a cadeia alimentar em geral.


O resultado pode ser comemorado por quem gosta de um dos mais premiados e bem pontuados vinhos do mundo, cuja vinificação lenta resulta num excelente potencial de guarda - e a julgar pelos exemplares degustados na presença do Conde Francesco Marone Cinzano, este potencial só torna o vinho ainda mais interessante.


De fato, numa degustação vertical durante a qual características específicas de cada ano de produção foram mencionadas, é notável verificar que, mesmo num produtor que segue os mais altos padrões de qualidade, há elementos incontroláveis que podem resultar num vinho completamente distinto, ora mais potente, ora mais delicado, mas sempre impecável.

E para a sorte do consumidor brasileiro, a importadora Franco Suissa, do Sr. Alfredo Srour, os premiados vinhos da Col D'Orcia podem ser apreciados, degustados e colecionados nas adegas locais, e são a garantia de se apreciar um dos melhores exemplares deste símbolo italiano que é o Brunello di Montalcino.


Notas de Degustação


Rosso di Montalcino Biologico 2013 - "grosso" em pureza, a versão "jovem" do vinho de Montalcino permanece de 10 a 12 meses em garrafa. É fresco, frutado, versátil, com taninos finos mas presentes, revelando-se ainda gastronômico e jovem, desdobrando-se em diversos sabores no paladar. A Col D'Orcia foi uma das responsáveis pela obtenção da nomenclatura DOC para os Rosso di Montalcino e é um vinho complexo, saboroso e muito versátil.


Brunello di Montalcino 2010 - Com no mínimo três anos de envelhecimento em grandes tonéis, esta é a última colheita à venda da Col D'Orcia. É intenso, encorpado e levemente frutado, mas muito complexo nos aromas. Elegante e com taninos finos marcados e prolongados, apresentou um final ainda com fruta. Um Brunello ainda em estágio jovem, com muito potencial.


Brunello di Montalcino 2008 !!! - A cor já se revelou mais intensa, sendo que o ano de 2008 teve condições climáticas específicas após a queda de granizo que ocasionou uma perda de 40% da produção em 20 minutos no dia 15 de agosto daquele mesmo ano. É um vinho com aromas muito evoluídos, frutas maduras quase em compota, com taninos mais finos e maduros, mais perceptíveis após alguns momentos na boca. O final é picante mas também frutado e marcante.


Brunello di Montalcino 2004 - Os aromas estão mais marcados, com frutas vermelhas e negras, uma acidez em perfeito equilíbrio e muita maciez, com um suave toque acético, resultante da fermentação natural, que acrescenta complexidade ao vinho. Os sabores se prolongam quase inalteradamente em boca, uma prova de que o tempo só faz bem aos Brunellos da Col D'Orcia.


Brunello di Montalcino 2001 - Colheira caracterizada por uma geada de primavera, tem menos potência que as demais safras degustadas, pois é mais elegante e refinado, com uma boca quase floral, com um paladar mais gentil. Um exemplar diverso dos demais, mas muito interessante.


Erasmo Reserva de Caliboro 2002 - Este é um vinho de guarda chileno cuja produção é feita no Vale do Maulle pelo mesmo Conde Francesco Marone Cinzano da mesma maneira que os Brunellos de Col D'Orcia. Trata-se de um corte bordalês (60% Cabernet Sauvignon, 30% Merlot e 10% Cabernet Franc) que envelhece por 18 meses em carvalho francês. De coloração rubi mais intensa, tem aromas profusos de chocolate, amêndoas tostadas, violetas, cassis, cereja negra, com taninos mais potentes e acidez mais pronunciada. Um vinhaço!


Erasmo Late Harvest Torontel - Eleito o melhor Late Harvest chileno, este vinho oxida no momento da vinificação, permitindo uma guarda quase sem alterações. Aromas de abacaxi caramelizado, maçã cozida, pêssegos em calda, frutas secas, tem uma acidez que permite apreciar o doce sem enjoar. É feito com as uvas passificadas, como um vinsanto italiano, e segue uma receita praticada pela Igreja Católica no Chile desde os seus primórdios.

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