• Guto Martinez

Colheita 2022 de Champagne tem maior limite de rendimento em mais de uma década

Após dois anos difíceis, associação que delimita os rendimentos máximos dá um respiro e permite liberação diferida das reservas

Vinhedos da Ruinart, em Champagne

O Champagne Comité, associação que representa os interesses de produtores de uvas (vignerons) e casas da região, fixou o limite de rendimento para a safra de 2022 em 12.000kg por hectare, o maior em mais de uma década. Este é o nível mais alto estabelecido desde a safra de 2008, e vem na parte de trás do crescimento contínuo das vendas de Champanhe em todo o mundo.

O aumento vem em boa hora, para compensar tanto a seca que assolou diversas regiões vinícolas em 2020 quanto a queda de 18% no consumo no mesmo ano, e que limitou a produção a 8.000 kg/hectare É em contraste com a safra de 2020, que foi fixada em 8.000kg por hectare, um dos menores rendimentos estabelecidos nos últimos anos (embora com uma qualidade considerada excepcional). E 2021 também não foi fácil, com acontecimentos climáticos extremos como granizo, chuvas e doenças causando estragos nos vinhedos da região.

Aparentemente, tanto o clima quanto o consumo deram trégua para Champagne: o Conselho Regional de Vinhos da região notou um aumento de 16,8% nas exportações no primeiro semestre de 2022 em comparação com igual período do ano passado, acompanhadas de um aumento de 9,3% no consumo francês também. As condições sanitárias foram vistas como excelentes nessa véspera de colheitas, que devem iniciar em 10 de agosto, e também representam um alívio.

Embora a demanda por Champagne deve continuar crescente, a região anunciou também uma iniciativa de "liberação diferida da reserva", que visa gerar um crédito das reservas produzidas na região e que são mantidas pelos produtores (algo que já ocorre todo ano) que se acumulará para o próximo, estabilizando a oferta e garantindo o rendimento futuro, num limite de até três anos quando se espera que a reserva será reabastecida. A medida deve garantir tanto uma regularidade na oferta, o que evita flutuações muito grandes no valor do produto, quanto o atendimento dos mercados, já que a falta do produto poderia facilmente levar à sua substituição.

Abaixo, seguem os limites estabelecidos desde 2007 (dados do Champagne Comité):

2007 – 12,400kg/ha

2008 – 12,400kg/ha

2009 – 9,700kg/ha

2010 – 10,500kg/ha

2011 – 10,500kg/ha

2012 – 11,000kg/ha

2013 – 10,000kg/ha

2014 – 10,100kg/ha

2015 – 10,000kg/ha

2016 – 9,700kg/ha

2017 – 10,300kg/ha

2018 – 10,800kg/ha

2019 – 10,200kg/ha

2020 – 8,000kg/ha

2021 – 10,000kg/ha

2022 – 12,000kg/há

As mudanças foram anunciadas em nota publicada pelo Champagne Comité, que ressaltou o compromisso da associação com a sustentabilidade das vendas e dos rendimentos dos produtores, cujo trabalho como associação foi fortemente destacado como o maior responsável pela habilidade de preservação da indústria, sejam elas as grandes maisons ou os pequenos rótulos.

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