• Guto Martinez

Novas regiões e dificuldades logísticas ditam tendências do vinho em 2022

Problemas comuns a todos setores e dificuldades regionais devem dar o rumo

Fábricas fechadas, fornecedores parados, comércio interrompido: a quebra das redes de logística trouxeram efeitos negativos em todos os setores da economia, e no mundo do vinho não foi diferente: os preços sofrem com a inflação que veio dessas dificuldades, e muitos vinhos acabaram ficando com preços ainda mais proibitivos.

As dificuldades não param por aí, pois regiões tradicionais ainda lidam com as consequências do clima cada vez menos estável, principalmente na Borgonha, Bordeaux e Champagne, o que traz ainda mais pressão sobre o volume produzido e, por consequência, no preço final, o que acaba forçando muitos consumidores a buscar alternativas mais viáveis.

A questão da logística até pode ser resolvida a médio prazo, com muitos fornecedores declarando que até o final deste ano as cadeias de fornecedores devem voltar ao normal, mas os problemas relacionados à queda de produção devem forçar os consumidores a procurar alternativas, o que pode ser uma boa notícia para as novas regiões produtoras de variedades tradicionais.

Por exemplo, os tradicionais consumidores de Borgonha podem acabar recorrendo aos novos e excelentes rótulos de Pinot Noir chileno, e os amantes dos brancos bordaleses podem se valer dos Sauvignon Blanc da África do Sul. Produtores de regiões menos conhecidas do Velho Mundo, como Córsega, Canárias, Eslovênia e Suíça também podem entrar no radar dos enófilos que se sintam órfãos dos vinhos mais tradicionais.

Essas mudanças de padrão de consumo devem se somar a outra tendência: o aumento do consumo, principalmente entre a população mais jovem, que é notada até mesmo na inserção do vinho como elemento comum nas séries produzidas, algo que no Brasil fica evidente com o salto de mais de 19% do consumo principalmente doméstico - já que sair passa a ser uma opção arriscada, quando não impossível em tempos de lockdown.

Os mercados devem se estabilizar, e a produção acaba encontrando meios de equilibrar eventuais quebras locais com a abertura de novas fronteiras e ganhos de produtividade. O que é mais importante para quem gosta de vinho é manter sempre as taças cheias!

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